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Brasil e Japão firmam acordos e plano de ação para ampliar parcerias

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Esta é a quinta visita do presidente Lula ao Japão, mas a primeira visita de Estado. No Japão, as visitas de Estado - consideradas as mais relevantes do ponto de vista diplomático - são organizadas, no máximo, uma vez por ano

Brasil e Japão assinaram, nesta semana, em Tóquio, dez acordos de cooperação em áreas como comércio, indústria e meio ambiente, além de 80 instrumentos entre entidades subnacionais como empresas, bancos, universidades e institutos de pesquisas. Os dois países também anunciaram um plano de ação para revitalizar a Parceria Estratégica Global, um nível mais elevado nas relações diplomáticas estabelecidas desde 2014.

Os atos ocorreram em reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba. Lula, em visita d Estado ao país asiático, disse, em declaração após o encontro, afirmando que as relações Brasil-Japão ganharam uma nova dimensão.

Segundo ele, serão realizados encontros periódicos entre equipes governamentais, a cada dois anos. “Isso reflete o grau de ambição do relacionamento Brasil-Japão”, afirmou.

“O Japão é um país democrático, desenvolvido do ponto de vista econômico, científico e tecnológico. O Brasil é um país que acompanha a passos largos a necessidade de se desenvolver, de investir em educação, ciência e tecnologia e em pesquisa porque temos consciência que não há possibilidade de um país crescer, se desenvolver, ficar rico, se não houver um maciço e forte investimento em educação”, disse Lula.

Para o presidente, o Brasil deve aprender com o Japão e colocar em prática os avanços que o país asiático obteve nos últimos anos. Neste sentido, ele afirmou a prioridade em “cuidar” dos 211 mil brasileiros que residem no Japão e reiterou a importância do ensino do japonês para inclusão das 30 mil crianças e adolescentes brasileiros no ensino público do país.

O primeiro-ministro Ishiba concordou que a promoção de intercâmbio pessoal é uma das bases da cooperação bilateral.

Além do plano de ação de parceria estratégica, os dois países assinaram atos sobre iniciativa para combustíveis sustentáveis e mobilidade, de integração industrial, na área de ciência, tecnologia e inovação, recuperação de terras degradadas, meio ambiente, educação, em tecnologia da informação e comunicação e inclusão digital, em redução de riscos de desastres relacionados à água e na área de saúde.

Biocombustíveis

O presidente Lula destacou que a recente decisão do Japão de incrementar o uso de bicombustíveis no transporte e na aviação abre espaço para os dois países. 

“trabalharemos juntos pela transição energética”, além de atrair investimentos para produção no Brasil. “Queremos aumentar o nosso comércio, queremos fazer parceria com a indústria, que o Japão adote no Brasil a perceptiva da produção do etanol, do hidrogênio verde e do combustível renovável”, explicou.

Em reunião com empresários, Lula também falou sobre a intenção do Brasil de elevar a mistura de etanol na gasolina de 27% para 30% e da adição de biodiesel no diesel fóssil. “A descarbonização é um caminho sem volta e é perfeitamente compatível com o objetivo de segurança energética”, reafirmou o presidente.

Lula lembrou que o Japão foi o primeiro país asiático a contribuir com o Fundo Amazônia - R$ 14 milhões. Criado em 2008, o fundo apoiou 107 iniciativas de redução de emissões provenientes de desmatamento e degradação florestal.

“Japão e Brasil seguirão trabalhando juntos em medidas de mitigação e adaptação à mudança do clima, combate ao desmatamento e prevenção de desastres naturais”, disse, cobrando que os países apresentem “metas ambiciosas” de redução de emissão de gases de efeitos estufa na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) que será realizada em novembro, em Belém, no Pará.

Mercosul

No próximo semestre, o Brasil assume a presidência do Mercosul e a expectativa de Lula é negociar um acordo comercial do Japão com o bloco sul-americano. O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, ratificou o “forte desejo” de elevar as relações econômicas com o Mercosul a patamares ainda maiores. Comércio entre Brasil e Japão também pode ser aumentado, concordaram os mandatários.

Antes da reunião oficial, os dois participaram de um fórum com empresários, o que, segundo Lula, “ampliou os horizontes para cooperação com o setor privado”.

Em 2011, o fluxo da balança comercial entre os dois países chegou a US$ 17 bilhões e, em 2024, caiu para US$ 11 bilhões. O Japão é o segundo maior parceiro do Brasil na Ásia, atrás apenas da China, e o 11º maior parceiro comercial do Brasil no mundo. É a nona origem de investimentos estrangeiros no Brasil, com cerca de US$ 35 bilhões de estoque de investimento em 2023.

Ishiba lembrou que o montante de investimentos diretos de empresas japonesas no Brasil, a partir de 2024, soma R$ 45 bilhões. “Isso é prova da expectativa do fortalecimento das relações econômicas”, avaliou.

Além disso, o Brasil hospeda a maior comunidade nikkei fora do Japão, com cerca de dois milhões de pessoas, enquanto o Japão abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior - perto de 200 mil pessoas.

Extremismo

“O primeiro-ministro e eu concordamos que a sustentabilidade, a paz e a democracia são essenciais para o futuro do planeta. O extremismo, o discurso de ódio e as notícias falsas solapam instituições e fomentam a intolerância”, disse Lula ao lado do primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba.

Durante o encontro, os dois líderes conversaram sobre as crises e guerras em curso no mundo, como na Ucrânia e no Oriente Médio. Lula e Ishiba defenderam o fortalecimento do multilateralismo e a união de esforços em defesa de interesses comuns.

Esta é a quinta visita do presidente Lula ao Japão, mas a primeira visita de Estado. No Japão, as visitas de Estado - consideradas as mais relevantes do ponto de vista diplomático - são organizadas, no máximo, uma vez por ano, e esta é a primeira visita de Estado organizada pelo Japão desde 2019.

A comitiva brasileira em Tóquio é composta pelo presidente, a primeira-dama Janja Lula da Silva, ministros, parlamentares, empresários e sindicalistas. A visita começou dia 25 e se encerrae  hoje (28), quando o presidente está em Hanói, no Vietnã, para a segunda parte da viagem à Ásia.

Os dois países fecham acordo para venda de 20 jatos da Embraer

Países também avançaram nas tratativas sobre uso de etanol na aviação

A Embraer e empresas japonesas do setor aéreo ampliaram parcerias durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva àquele país, em acordo firmado para a venda de jatos da Embraer. A comitiva brasileira anunciou, a compra, pela All Nippon Aiways (ANA), de 15 aeronaves E-190. A principal empresa aérea japonesa informou que pretende adquirir, ainda, outras cinco aeronaves – contratos que renderão, à Embraer, cerca de R$ 10 bilhões.

Combustível Sustentável de Aviação (SAF)

Avançaram também as negociações visando à adoção, pelo setor de aviação japonês, do Combustível Sustentável de Aviação (SAF), uma alternativa ao combustível aeronáutico de origem fóssil.

Agro

De acordo com o governo brasileiro, esse combustível pode ser obtido a partir de diversas fontes. Entre elas, o etanol produzido a partir da cana-de-açucar. Lula também se encontrou com empresários brasileiros ligados à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) para debater a abertura do mercado japonês ao setor.

Carro do futuro

Progrediu também a negociação para a construção do chamado “carro do futuro” – o eVTOL, uma aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) desenvolvida pela Embraer em parceria com empresas estrangeiras.

130 anos

Durante seu discurso no jantar, Lula também celebrou os 130 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Japão, e afirmou que é “imensurável” a contribuição japonesa para a economia, a agricultura, a industrialização e a cultura brasileira.

Lula lembrou que o Brasil hospeda a maior comunidade nikkei fora do Japão, com cerca de 2 milhões de pessoas, enquanto o Japão abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com cerca de 200 mil pessoas.

“Muitos brasileiros também atravessaram o mundo para viver no Japão, e hoje representam uma comunidade expressiva, cuja força criativa soma-se ao espírito inovador japonês”, acrescentou.

Esta é a quinta visita do presidente Lula ao Japão, mas a primeira visita de Estado. No Japão, as visitas de Estado, consideradas as mais relevantes do ponto de vista diplomático, são organizadas, no máximo, uma vez por ano, e esta é a primeira visita de Estado organizada pelo Japão desde 2019.

Agenda

Em junho, a princesa Kako de Akishino visitará o Brasil pelas celebrações do Ano de Intercâmbio da Amizade Brasil-Japão.

Lula no Vietnã para elevar nível da relação com o país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Hanói, capital do Vietnã, para a segunda parte de sua viagem à Ásia. O objetivo é debater um plano de ação para elevar o relacionamento diplomático ao nível de Parceria Estratégica Global, um tipo de relação superior ao que os dois países mantêm atualmente. Entre as nações do Sudeste asiático, apenas a Indonésia é um parceiro estratégico do Brasil.

Amanhã (28) - ainda noite desta quinta-feira (27) no Brasil - Lula será recepcionado pelo presidente do país, Luong Cuong. Ao longo do dia, o presidente brasileiro terá outros encontros bilaterais, inclusive com o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh. A visita segue até sábado (29).

O Vietnã se tornou o quinto maior consumidor dos produtos agropecuários brasileiros. Em 2024, Brasil e Vietnã registraram um volume de comércio de US$ 7,7 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 415 milhões.

A meta, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), é chegar a US$ 15 bilhões em volume comercializado em um contexto mais amplo de aproximação do Brasil com nações do sudeste asiático.

Neste sentido, segundo o MRE, a elevação das relações diplomáticas com o Vietnã ao nível de parceria estratégica possibilitará aprofundar o diálogo político, reforçar a cooperação econômica e intensificar o fluxo de comércio e os investimentos.

Desde que Lula assumiu o terceiro mandato, este é o terceiro encontro com o primeiro-ministro Pham Minh Chinh. Os dois se reuniram em setembro de 2023, em Brasília, e em novembro de 2024, na cúpula do G20, no Rio de Janeiro.

Da Redação, com Agência Brasil - EBC -  textos de Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil - Fotos: Ricardo Stuckert-PR- Edição: Redação

Na foto abaixo: Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Primeiro-Ministro do Vietnã, Pham Minh Chinh. Palácio do Governo - Vietnã. Foto: Ricardo Stuckert / PR