31 de julho de 2025
Fraudes

Haddad falou da Operação ‘Poço de Lobato’, pediu urgência na votação do Projeto Devedor Contumaz, afirmando que Brasil e Estados Unidos precisam agir de forma conjunta para evitar mais fraudes

Haddad disse que “criminosos estão utilizando o estado de Delaware, um paraíso fiscal dos Estados Unidos, para montar operações de triangulação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro”

Por Redação, com Assessorias – Edição: Política Real – Bancada Sulista
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Fernando Haddad, cobra da Câmara dos Deputados, mas não cita o nome de Hugo Motta - Foto: imagem de streaming

(Brasília-DF, 28/11/2025) O ministro Fernando Haddad, comentou com jornalistas, sobre a “Operação Poço de Lobato” e urgência na votação do projeto Devedor Contumaz, nesta quinta-feira (27), ao chegar na sede do Ministério da Fazenda.

Haddad lembrou que é fundamental que a Câmara vote o projeto de Lei Devedor Contumaz, que se trata do Código de Defesa do Contribuinte.

“É por isso que nós insistimos na necessidade imperiosa de votar o projeto do Devedor Contumaz, uma militância de três anos junto ao Congresso Nacional. Por ocasião da Carbono Oculto, nós tivemos a aprovação no Senado de um projeto combinado com o Governo Federal. Não é um projeto de oposição ou situação. O Senado foi unânime em aprovar. Não tem nada a ver com oposição, com situação.”, disse.

Delaware

Haddad está propondo que “o presidente Lula, em tratativas com o presidente dos Estados Unidos, defenda uma maior interação entre as autoridades dos dois países para que as ações criminosas que estão sendo reveladas não se perpetuem”.

“Fizemos chegar ao presidente Lula a necessidade de, nas negociações com os Estados Unidos, pautar o combate ao crime organizado. Porque eles estão utilizando o estado de Delaware, que é um paraíso fiscal dos Estados Unidos, para montar operações de triangulação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro”, afirmou.

Leia na íntegra a fala de Haddad aos jornalistas:

Fernando Haddad:  Mas a superintendente me trouxe um breve relatório do que está em jogo, para que vocês tenham noção do alcance dessa operação Poço de Lobato.

Como a Márcia (Cecília Meng, Superintende da Receita Federal em São Paulo) me falou, está com dificuldade de achar, não em tantas operações que tem, já está com dificuldade de achar nome para tudo. Bom, em primeiro lugar, esse é um desdobramento da Operação Carbono Oculto. A Operação Carbono Oculto, como vocês sabem, foi uma operação que desbaratou fundos que estavam sendo usados pelo crime organizado, sobretudo lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, sempre lembrando que o papel da Receita Federal é de proteger a atividade econômica lícita no país.

Nós não fazemos persecução penal. Esse é o papel da Polícia, do Ministério Público. O que a Receita faz é, por meio da fiscalização, é uma atividade de fiscalização, inibir as práticas econômicas ilícitas, para garantir que a concorrência seja leal, que os pagamentos de tributos sejam regulares, que não haja benefício para o sonegador em relação às empresas que pagam corretamente os seus tributos.

É por isso que nós sempre insistimos na necessidade imperiosa de votar o projeto do Devedor Contumaz. Nós estamos há três anos militando junto ao Congresso Nacional. Por ocasião da Carbono Oculto, nós tivemos a aprovação no Senado de um projeto combinado com o Governo Federal.

Não é um projeto de oposição e situação. O Senado foi unânime em aprovar. Não tem nada a ver com oposição, com situação.

É para o Brasil e para os bons empresários, que são 99% das pessoas que estão agindo ilicitamente, explorando atividades econômicas. O devedor com o Tomás pega um núcleozinho pequeno de empresas que usam desses expedientes ilícitos para ter vantagens competitivas, completamente irregulares. Então é muito importante frisar isso.

Essa operação de hoje está se dando em cinco estados. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia. São 126 mandatos de busca e apreensão.

A movimentação do grupo econômico é, no último ano, de R$ 70 bilhões. São pessoas que devem uma fortuna para os fiscos de todo o país, estaduais e para o fisco federal também. Nós estamos falando de R$ 26 bilhões em impostos não recolhidos por esse grupo econômico.

Envolve lavagem de dinheiro. E nós agora mapeamos um forte movimento de evasão de divisas. É importante frisar isso.

Eu estou frisando essa questão da evasão de divisas porque isso extrapolou as fronteiras nacionais. Eu, inclusive, junto ao ministro Lewandowski, fizemos chegar ao presidente Lula a necessidade de, nas negociações com os Estados Unidos, pautar o combate ao crime organizado. Porque eles estão utilizando o estado de Delaware, que é um paraíso fiscal nos Estados Unidos, para montar operações de , triangulação, evasão de divisa e lavagem de dinheiro.

Então, são abertas empresas lá. São dezenas de empresas e fundos que estão sendo abertos fora do Brasil. E o esquema é que você faz um empréstimo para esses fundos, um empréstimo que é suspeita da receita de que jamais serão pagos, e voltam na forma de aplicação, entre aspas, lícita em atividades econômicas no Brasil.

Mas o dinheiro que vai para lá não é um dinheiro lícito. Então, é uma operação de triangulação internacional gravíssima. Só para vocês terem uma ideia, a última operação foi de 1,2 bilhão de reais de envio de recursos para esses fundos em Delaware.

E que voltam para cá na forma de aplicação, como se fosse um investimento direto estrangeiro no Brasil, mas é feito simulando um investimento estrangeiro. Na verdade, o dinheiro saiu daqui. Está voltando por esses fundos.”, disse.

(Da Redação, com Assessorias – Edição: Política Real – Bancada Sulista)