É necessário rapidez do Senado e Câmara no Acordo Mercosul-EU, diz presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelson Trad
Declaração feita em coletiva à imprensa após a reunião de Nelsinho, com a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf
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(Brasília-DF, 22/01/2026) Em entrevista, nesta quinta-feira (22), o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad, reforçou o pedido de celeridade na votação do Acordo Mercosul-União Européia, aos presidentes do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Trad disse que os dois presidentes devem tratar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia “com a maior celeridade possível”, afirmou.
A declaração ocorreu em entrevista coletiva à imprensa após a reunião de Nelsinho, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), com a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf.
“O Poder Executivo precisa remeter o acordo ao Hugo Motta, que vai fazê-lo tramitar na delegação brasileira no Parlasul (Parlamento do Mercosul). A partir dali é que se inicia sua tramitação nas outras comissões da Câmara dos Deputados, e depois no Senado [caso seja aprovado pelos deputados]. Motta vai reunir os líderes no final deste mês”, enfatizou.
Por sua vez, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf
afirmou “não saber em quanto tempo o Parlamento Europeu poderá votar o acordo. Os eurodeputados aprovaram nesta quarta-feira (21) o envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para que a corte emita um parecer jurídico. Só depois eles poderão votar o acordo”.
“Espero que a velocidade da tramitação no Congresso Nacional incentive os procedimentos do lado europeu também. Esse acordo vai ser um divisor de águas e diz que o multilateralismo seria a maneira de tratar outros países”.
Em nota à imprensa, Nelsinho explica que 334 eurodeputados foram a favor de remeter o texto ao TJUE, enquanto 324 foram contrários e 11 se abstiveram de votar.
Mesmo após assinado, o novo acordo precisa ser confirmado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos de cada país do Mercosul, o que ocorrerá de forma independente.
Subcomissão
Nelsinho ainda confirmou que uma “subcomissão vai agilizar e acompanhar a confirmação do documento pelo Congresso Nacional, assim que o texto chegar ao Senado Federal”.
Para o senador, “as autoridades brasileiras devem coordenar ações para que os demais países tratem o tema com prioridade”.
“Vou intensificar a atuação institucional em três frentes: articulação com o Itamaraty e a Casa Civil; diálogo com a União Europeia; e mobilização política internacional, com acionamento de eurodeputados e lideranças de países favoráveis ao acordo”, registrou.
O acordo
“O documento do acordo prevê que ambos os blocos eliminem ou reduzem gradualmente até 90% das tarifas de importação e exportação de diversos produtos no período de uma década. Também haverá aumento de cotas para produtos como carne, etanol, açúcar e arroz. As negociações transcorriam desde 1999”.
Segundo o presidente da CRE, “a pauta aumentará empregos e renda, além de investimento no interior do Brasil. Ele destacou as vantagens para seu estado, Mato Grosso do Sul. Em 2025, o estado exportou US$ 1,3 bilhão para a União Europeia, informou. ‘Precisamos de previsibilidade, acesso real a mercados e respeito ao produtor’, defendeu Nelsinho.
Os dois blocos econômicos reúnem um mercado aproximado de 718 milhões de consumidores, com produto interno bruto (PIB) estimado em cerca de US$ 22 trilhões, de acordo com o governo federal.
(Da Redação, com Agência Senado – Edição: Artur Hugen)