31 de julho de 2025
OPINIÃO

MDB de ontem, PSD de hoje!

Só uma besta não vê que o PSD se transformou no maior problema para o bolsonarismo e Flávio Bolsonaro.

Por Genésio Araújo Jr
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Flávio Bolsonaro e Gilberto Kassab 010326.png

(Brasília-DF)  A redemocratização brasileira após a Constituição de 1988 e a Nova República, como se dizia, foram marcadas pela presença do PMDB e depois MDB. O maior partido do Brasil, por anos a fio, que não chegou ao poder pelo voto.

A história provou que não se pode menosprezar os gigantes da chamada máquina de poder. Não podemos esquecer, apesar das rotineiras divisões nacionais que somos uma democracia pluripartidária.

Faço essa abertura, pois ao final de fevereiro vemos as dificuldades domésticas do presidente Lula e do petismo e o avanço de Flávio Bolsonaro, a tal consolidação da força bolsonarista e o que ela projeta.

Flávio Bolsonaro teve rascunhos divulgados mostrando que ele trabalha, abertamente, mais contra o PSD, o maior partido brasileiro do momento, que se goste ou não ocupa o espaço do MDB no passado, do que contra os arranjos políticos do petismo.

Só uma besta não vê que o PSD se transformou no maior problema para o bolsonarismo e Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro trabalha claramente para o que o PSD não tenha importância relevância em Minas Gerais e em São Paulo.  No Rio de Janeiro, berço do bolsonarismo, o PSD de Eduardo Paes conseguiu retirar gente que estava no bolsonarismo para seu lado e a autofagia bolsonarista trabalha claramente contra o próprio, hoje, governador do PL bolsonarista, mas em Minas e São Paulo o cenário é outro.

Flávio Bolsonaro não tem a menor intenção de permitir que o candidato do PSD, o vice Mateus Simões tenha vida fácil numa composição com alguns de seus aliados.  Mateus  Simões é natural candidato à reeleição quando assumir o cargo após a iminente saída de Romeu Zema do cargo. Tem contra si baixa intenção de votos. Em São Paulo, a situação é pior.

Flávio Bolsonaro tornou o governador Tarcísio de Freitas coordenador de sua campanha nacional e local, e, na prática, coloca uma barreira institucional à manutenção da aliança de Tarcísio com o seu colaborador e aliado, Gilberto Kassab, presidente do PSD, o maior partido do Brasil, que tem três pré-candidatos à Presidência da República.

Os pré-candidatos do PSD são todos adversários de Lula e do petismo e não são aliados do bolsonarismo mais ferrenho, apesar de dois desses nomes terem afirmado que se eleitos poderiam dar perdão presidencial a Jair Bolsonaro, em nome de uma pacificação nacional, acredite.

Não se maltrata e humilha uma máquina de poder tão grande e poderosa, que tem a maioria dos governadores e prefeitos do Brasil em vão!

Se é verdade que Flávio Bolsonaro está consolidado como o natural adversário de Lula para disputa de outubro, porque tanto medo e raiva do PSD, que em tese é antipetista e antilulista, em sua gênese, visto que surgiu como costela do velho pefêle?!

O  PMDB/MDB era dividido como se vê no PSD, que tinha também a maior quantidade de prefeitos e governadores, e foi decisivo para todos os presidentes da República até 2018.

A história quando se repete, como já disse, quando não como tragédia é como farsa! Escolha!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

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