31 de julho de 2025
PODER

Veto da Presidência da República foi derrubado pelo Congresso Nacional e pode reduzir penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro

A redução de penas e a flexibilização na progressão da pena, aponta a possibilidade de transferência gradual do regime fechado para o aberto

Por Redação com Agência Senado – Edição: Artur Hugen
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O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, durante a sessão - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

(Brasília-DF, 30/04/2026) Derrubada do Veto do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao projeto da Dosimetria, em Sessão do Congresso Nacional, nesta quinta-feira (30), beneficia os condenados dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A redução de penas e a flexibilização na progressão da pena, aponta a possibilidade de transferência gradual do regime fechado para o aberto. A decisão de senadores e deputados ao derrubar o veto da Presidência da República (VET 3/2026), ressalvados dispositivos prejudicados, ao chamado PL da Dosimetria (PL 2.162/2023), do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). O texto vai à promulgação.

49 senadores e 318 deputados votaram favoráveis à derrubada, o que fará com que o texto vetado pelo presidente Lula passe a ser lei. Para derrubar um veto presidencial são necessários os votos contrários da maioria absoluta de ambas as Casas, isto é, de 257 deputados e 41 senadores.

A votação iniciou-se pela Câmara. O placar foi 318 (não) contra 144 (sim), com 5 abstenções. Na sequência, foi a vez dos senadores: 49 votaram "não" (pela derrubada), 24 votaram "sim" (pela manutenção do veto).

Os congressistas avaliaram parte do veto, pois interpretou-se que a transformação em lei do PL da Dosimetria na íntegra poderia anular parte da Lei Antifacção (Lei 15.358/2026)), sancionada em março.

Durante a sessão, senadores e deputados discutiram principalmente as condenações feitas pelo STF-Supremo Tribunal Federal e as tensões do novo texto com a Lei Antifacção, que endureceu a progressão da pena em crimes hediondos e violentos. Apesar do foco dos parlamentares no debate sobre os atos de 8 de janeiro, a nova norma, em tese, poderia beneficiar futuros infratores.

Redução de pena

‘Quando os crimes de golpe de Estado forem praticados "em contexto de multidão", pelo texto, o juiz reduzirá a pena entre um terço e dois terços. O mesmo vale para o crime de "abolição violenta do Estado democrático". Em ambos os casos, o infrator não pode ter financiado ou exercido papel de liderança’.

O senador Sergio Moro (PL-PR) afirmou que o STF julgou os envolvidos nos atos para "garantir a condenação", chamada de excessiva por ele.

“Pessoas receberam pena de 14 a 16 anos por estarem no dia 8 de janeiro na Praça dos Três Poderes. Ninguém concorda com invasão de prédio público, mas também não pode haver uma condenação dessas pessoas que não quebraram um copo d'água”, destacou Moro.

Transição para liberdade

‘Quem cometer crimes contra o Estado democrático de direito poderá ter progressão após cumprir um sexto da pena, se houver bom comportamento’.

Os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o relator do PL da Dosimetria no Senado, Esperidião Amin (PP-SC), defenderam a aprovação e afirmaram que o texto é o primeiro passo, pois irão continuar batalhando pela anistia geral.

“Esse é o primeiro passo necessário e muito aguardado pelos mais aflitos. Nós queremos prosseguir a caminhada. A próxima etapa é a anistia. E depois a revisão do inquérito do 8 de janeiro”, afirmou Amin.

O senador Izalci Lucas (PL-DF), enfatizou que diversos presos do 8 de janeiro já estarão habilitados a deixar a prisão.

Para ele, “a norma vai fazer com que muitas famílias possam voltar para casa e reconstruir suas vidas. A solução ideal seria a anistia, mas não deu para aprovar”, concluiu.

Segundo o relatório de abril do STF sobre o 8 de janeiro, são 413 pessoas presas preventivamente e 111 presas definitivamente no regime fechado. O regime fechado representa a grande maioria dessas prisões.

Penas

A proposta ‘proíbe a soma das penas nos crimes contra as instituições democráticas previstos no Código Penal. Para ser beneficiado, o infrator deve ter os crimes no mesmo contexto. Assim, quem tentar abolir o Estado democrático de direito e, ao mesmo tempo, tentar depor o governo receberá apenas a pena mais elevada, com um aumento proporcional’.

Pela legislação em vigor, ‘o juiz pode somar penas de diferentes crimes cometidos por meio de uma única ação, caso praticada com essa intenção. Também é possível somar penas de crimes cometidos mediante mais de uma ação. Foi o que os ministros do STF fizeram com os condenados pelos atos de 8 de janeiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro’.

‘As novas regras em benefício do réu valem inclusive para aqueles que já foram condenados definitivamente pela Justiça’.

Anistia

O senador Rogerio Marinho (PL-RN) afirmou que os condenados de 8 de janeiro "foram à praça pública mostrar descontentamento", mas "que descambou para a depredação". Para o líder da oposição no Senado, a anistia na ditadura militar já beneficiou aqueles que hoje são contra o PL da Dosimetria.

“Foram beneficiados por assalto a banco, por sequestro, por pegar em armas contra o governo daquela ocasião… E assacam a dosimetria e anistia para idosos e mulheres”.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), apontou que os atos de 8 de janeiro representaram a "acumulação de um processo golpista". O senador classificou de "triste tradição" a tentativa de anistiar "quem atenta contra a democracia".

“A nossa democracia está sendo julgada na apreciação desse veto. O que aconteceu, presidente, no 8 de janeiro, aqui, não foi um passeio no parque, foi a culminância de um processo golpista. O que querem não é beneficiar aqueles que atentaram contra o Estado democrático de direito, utilizados como boi de piranha no 8 de janeiro. Querem, na prática, caminhar para uma anistia” alfinetou. 

Remição

‘Pessoas em prisão domiciliar poderão utilizar o trabalho como forma de reduzir a pena a ser cumprida, a chamada remição. Atualmente, apenas o estudo pode remir a pena na modalidade domiciliar, segundo publicação de 2023 da Defensoria Pública do Distrito Federal sobre execução penal. O texto altera a Lei de Execuções Penais e o Código Penal’.

Trecho retirado

O presidente do Congresso, senador ‘Davi Alcolumbre, retirou da votação trechos que facilitariam a liberdade de condenados por crimes hediondos, comando de milícias e feminícidas e que contradiziam a Lei Antifacção, que, desde março, passou a exigir que condenados nesses crimes passem mais tempo em regimes mais severos antes de migrar para os mais brandos. Já o PL da Dosimetria é um projeto mais antigo e repetia os percentuais anteriores. Para comando de facções criminosas, por exemplo, o cumprimento mínimo seria de 50% no regime mais rigoroso, em vez dos atuais 75%’.

Alcolumbre, disse que os parlamentares não desejavam flexibilizar a progressão de pena.

“Este cenário representaria uma invalidação da recente manifestação de vontade do Congresso, bem como significaria um passo atrás nas ações de combate à criminalidade, em especial ao feminicídio e ao crime organizado”.

Deputados governistas, defenderam a manutenção do veto e pediram que o texto fosse analisado inteiramente, o que foi dispensado por Davi.

(Da Redação com Agência Senado – Edição: Artur Hugen)