31 de julho de 2025
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Michelle Bolsonaro na vaga de Flávio volta a ganhar força, por José Natal

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Por José Natal
Publicado em
Nichellle Bollsaonaro volta as manchestes - Foto: L-Divulgação

ARTIGO

Ter como fonte o deputado Ricardo Salles (Novo-SP) para qualquer análise séria é sempre arriscado. Mas, como as coisas no campo bolsonarista andam meio pantanosas nos últimos tempos, até ele acaba servindo como referência.

Como todos se lembram, não faz muito tempo que, em entrevista ao SBT News, Salles afirmou, com toda a ênfase e uma boa dose de ironia, ter muita estima e consideração por Flávio Bolsonaro (PL), mas que o nome correto para disputar a Presidência da República pelo partido seria o de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, 44 anos, atual presidente do PL Mulher e candidata ao Senado Federal pelo Distrito Federal, além de bem avaliada nas pesquisas.

Salles é o mesmo que, quando ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, durante reunião no Palácio do Planalto, em abril de 2020, disparou a célebre frase de que o governo deveria aproveitar a população preocupada com a Covid-19 para “ir passando a boiada”, alterando regras e regulamentos relacionados à ocupação de áreas, questões fundiárias e outros temas ambientais.

A declaração ocorreu no auge da pandemia, que então matava centenas de pessoas por dia no Brasil e milhares ao redor do mundo. A fala gerou forte repercussão e se tornou um dos episódios mais controversos daquele período.

Com a ex-primeira-dama ganhando espaço na mídia, conquistando a simpatia do eleitorado evangélico e ampliando sua aceitação entre parte expressiva do público feminino no Distrito Federal, não demorou para que a possibilidade de seu nome em uma disputa majoritária passasse a integrar conversas e reuniões reservadas nos bastidores políticos.

Aliada do então governador Ibaneis Rocha e da vice-governadora Celina Leão, Michelle acabou optando pela candidatura ao Senado. No ambiente político de Brasília, entretanto, muitos bolsonaristas sempre demonstraram preferência por seu nome em vez do de Flávio Bolsonaro.

Após episódios recentes envolvendo viagens aos Estados Unidos e outras controvérsias amplamente exploradas no debate político, a pré-candidatura de Flávio passou a enfrentar questionamentos internos. Ao mesmo tempo, pesquisas eleitorais passaram a indicar maior competitividade de seus adversários, aumentando a preocupação entre aliados.

Agora, nos bastidores de Brasília e também em parte da mídia nacional – como registrado na coluna de Lauro Jardim neste domingo (14/06) – um tema que parecia adormecido volta a ganhar força: a possibilidade de Michelle Bolsonaro assumir papel mais central na disputa presidencial.

Mesmo mantendo discrição pública, Michelle continua sendo um nome influente dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, o apoio à sua candidatura ao Senado permanece consolidado entre seus principais eleitores.

Como costuma ocorrer em campanhas eleitorais, cenários mudam rapidamente. Em política, muitas vezes o que parece definido ao final do dia pode ser completamente diferente na manhã seguinte.

Por enquanto, duas realidades se destacam: a insatisfação de parte dos aliados com o desempenho político de Flávio Bolsonaro e o fortalecimento do nome de Michelle Bolsonaro nos debates internos do grupo bolsonarista.

Diante desse cenário, adversários políticos observam atentamente os movimentos e aguardam os próximos capítulos da disputa eleitoral.

José Natal
Jonalista