31 de julho de 2025
ELEIÇÕES 2026

Campanha presidencial vira ação entre amigos contra Lula, e confunde o eleitor

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Por JOSÉ NATAL- JORNALISTA
Publicado em
Candidatos da direita formam ação entre amigos, contra Lula - Foto: PL-Divulgação

OPINIÃO

Faltam pouco mais de 60 dias para as eleições presidenciais deste ano de 2026 no nosso País. Pelo que sabemos (ou achamos que sabemos), do histórico desses nossos candidatos, filhos da nossa Pátria mãe gentil, difícil imaginá-los às voltas com livros, pesquisas ou quaisquer outros artifícios, que deem a eles robustez de informações, conhecimento de causa ou, quem sabe, aumente o know how para que, se eleitos, governem essa Nação com garbo e sabedoria.

Imaginar Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, noites adentro, pesquisando o que fizeram o economista Celso Furtado (1920-2004), o educador Darcy Ribeiro (1922-1997) ou médico Adib Jatene (1929-2014), ou outros do mesmo naipe, decididamente, não deve fazer parte de suas agendas, intenções ou tarefas. Não apenas porque ainda estamos na pré-campanha, mas principalmente (ou unicamente), porque a nenhum deles, ao que parece, foi dada a graça (ou obrigação) de almejar o poder por idealismo ou patriotismo.

Desapetrechados de qualquer carisma político, estranhamente atados às mesmas convicções e idéias, competem entre si, na busca de abater o petismo e tirar Lula do poder.

Quase uma ação entre amigos, com a promessa entre eles de que, qualquer que seja o vencedor (se houver), racha-se o bolo, tarefas divididas e ocupação imediata do território.

Renan Santos (Missão), e Augusto Cury (Avante), talvez por serem mais inteligentes, sabem que de fato não vão competir, mas visando outros objetivos, permanecem a bordo dessa nave. Em outras circunstâncias, admitem especialistas, a artimanha até poderia dar certo, mas em se tratando de pelotão tão desordenado, as chances de sucesso são pífias.

Por mais que haja por parte do eleitor (e há), dedicação e apreço por Flávio, a sequência de atos falhos, choque de idéias e rusgas internas que atingem a campanha, o distanciamento entre candidato e o eleitor é inevitável.

Somam-se a essas mazelas que cercam o candidato do capitão, a total ausência de nomes representativos no cenário político nacional. E, em contrapartida, o excesso de personagens que, dia a dia, insistem em mudar o foco da campanha, quase sempre buscando o conflito ao invés da paz. A arrogância e a agressividade ao invés da conciliação.

Nada mais amador e infantil do que, a essa altura, insistir nas agressões a Michelle Bolsonaro, se apresentar como capacho de Donald Trump e, nas redes sociais, discursar como animador de auditório de emissoras de rádio do interior. Vem de um aliado, já bastante irritado com esse “suicidio” eleitoral, a manifestar insatisfação pelo rumo dos acontecimentos.

Segundo ele, entre o bom humor e a ironia, caso Flávio vença a eleição chamará Neymar, Magno Malta, Costa Neto e Zé Trovão para o ministério. Além, é claro, adotar como único objetivo da vitória tirar Bolsonaro da cadeia, e, quem sabe, indicá-lo para o Supremo.

O mesmo aliado, se mantendo anônimo, teme que, se o processo continuar como está, Lula não terá outra alternativa, será eleito. Mesmo que não queira, no primeiro turno.

José Natal
Jornalista