31 de julho de 2025
Mercosul-UE

Acordo Mercosul-EU: 20 de dezembro pode se tornar uma data histórica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje (23), que acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) será validado em 20 de dezembro

Por Redação, com Ag. Brasil - EBC – Assessorias: Edição: Artur Hugen
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Lula esclareceu que a assinatura do acordo deve acontecer em Brasília (20 de dezembro), antes da Reunião da Cúpula de Líderes do Mercosul, em Foz do Iguaçu, inicialmente agendada para janeiro, porém, sem data definida - Foto: Bruno Peres-Agência Brasil

(Brasília-DF, 23/11/2025) “É um acordo que envolve praticamente mais de 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de dólares do Produto Interno Bruto (PIB) de ambos os países. É um momento extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo. E aí, depois que assinarmos o acordo, terá ainda algumas tarefas para a gente possa começar a usufruir das benesses desse acordo, à ser assinado”, afirmou o presidente da República Brasileira.

Lula concedeu entrevista à imprensa em Joanesburgo, na África do Sul, onde teve papel relevante na Cúpula de Líderes do G20, entre os grupos, que possuem uma das maiores economias do mundo.

A União Europeia e o bloco formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai completaram as negociações sobre o acordo em dezembro passado, após 25 anos do início das conversações. Haverá dois textos firmados: o primeiro de natureza econômica-comercial, que é de vigência provisória, e um acordo completo.

Foram analisados pela Comissão Europeia e submetidos, formalmente, ao Parlamento Europeu e aos estados-membros do bloco europeu. O Parlamento Europeu precisa aprovar com votos favoráveis de 50% dos deputados mais um. Resistencia da Franca questiona os termos do acordo.

Outros 15 dos 27 países precisam ratificar o texto, representando pelo menos 65% da população total da União Europeia, o que pode levar vários anos. Quando o acordo completo entrar em vigor, ele substituirá o acordo comercial provisório.

Os países do Mercosul precisam fazer o mesmo e submeter o documento final aos seus parlamentares, mas a entrada em vigor é individual, ou seja, não é preciso esperar a aprovação dos parlamentos dos quatro estados-membros.

Protecionismo

Maior produtor de carne bovina da União Europeia, a França, classifica o acordo como inaceitável (proteje produtores do país com o maior território europeu).  Levam em consideração exigências ambientais na produção agrícola e industrial. O presidente brasileiro contestou o argumento, afirmando que “a França é protecionista sobre seus interesses agrícolas”.

Agricultores europeus já protestaram várias vezes, dizendo que o acordo levaria a importações baratas de commodities sul-americanas, principalmente carne bovina, que ‘não’ atendem aos padrões de segurança alimentar e ecológicos da UE. A Comissão Europeia negou que esse seja o caso.

O Brasil esclarece que qualquer regulamento sobre salvaguardas que seja adotado internamente pela União Europeia esteja em plena conformidade com o espírito e os termos pactuados no acordo. 

“A comissão e os proponentes, como a Alemanha e a Espanha, afirmam que o acordo oferece uma maneira de compensar a perda de comércio devido às tarifas impostas pelo governo norte-americano.

Os apoiadores do “acordo na União Europeia veem o Mercosul como um mercado crescente para carros, máquinas e produtos químicos europeus e uma fonte confiável de minerais essenciais para sua transição verde, como o lítio metálico para baterias, do qual a Europa agora depende da China. Eles também apontam para os benefícios agrícolas, pois o acordo ofereceria maior acesso e tarifas mais baixas para queijos, presunto e vinho da EU”.

Agenda

Lula disse que, “nesta data, o presidente do Paraguai não poderá estar presente, então a reunião de alto nível deve ser primeiro realizada, no Rio de janeiro e após, em Foz do Iguaçu (PR), na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

“Possivelmente a gente marque a reunião do Mercosul para o começo de janeiro e assine [o acordo] no dia 20 de dezembro”, conclui Lula.

(Da Redação, com Ag. Brasil - EBC – Assessorias: Edição: Artur Hugen)