31 de julho de 2025
Nova Universidade

Projeto que cria a Universidade Federal do Esporte é aprovado pela Câmara dos Deputados

A UFEsporte terá sede em Brasília. Proposta segue para o Senado

Por Redação, com Ag. Câmara – Edição: Artur Hugen
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Hugo Motta concorda que um percentual das receitas de apostas em bets também poderá ser direcionada pelo Ministério do Esporte - Foto: Ag. Câmara dos Deputados

(Brasília-DF, 10/02/2026) Originário do Poder Executivo, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de Lei para criar a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), em Brasília, com objetivo de atuar na área do conhecimento relativa à ciência do esporte. A proposta será enviada ao Senado.

“O Projeto de Lei 6133/25 permite a abertura futura de outros campi nas demais unidades da Federação. O estatuto da nova autarquia definirá sua estrutura organizacional e forma de funcionamento, observado o princípio de não separação das atividades de ensino, pesquisa e extensão” sinaliza.

A instituição ainda poderá utilizar formas alternativas de ingresso, estratégias de atendimento e fomento, respeitadas as normas de inclusão e de cotas.

A proposta aprovada em Plenário, nesta terça-feira (10), é um substitutivo do relator, deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF). Ele retirou do “texto expressões como misoginia, racismo e gênero no trecho sobre as finalidades da nova universidade ligadas ao enfrentamento dessas questões no esporte”.

Finalidades

O projeto da nova universidade terá as finalidades, entre outras, de:

  • formar recursos humanos de excelência, com competências e habilidades para a gestão de políticas públicas de esporte;
  • promover a formação de profissionais direcionada à gestão de entidades e organizações esportivas e à atuação técnica no treinamento de atletas;
  • incentivar a produção de conhecimento científico e tecnológico aplicado à gestão do esporte e ao treinamento de alto rendimento;
  • promover a equidade no esporte e fomentar o desenvolvimento, a visibilidade e o financiamento das modalidades femininas;
  • garantir e fomentar a acessibilidade e a inclusão de pessoas com deficiência para promover o paradesporto; e
  • promover o enfrentamento à violência e a qualquer discriminação no esporte.

Imóveis da União

“Outros bens, legados e direitos doados, a UFEsporte contará com bens móveis e imóveis da União que o projeto permite doar para a instituição começar a funcionar administrativamente.

A autarquia contará também com receitas eventuais, a título de remuneração por serviços prestados compatíveis com sua finalidade; e de convênios, acordos e contratos celebrados com entidades e organismos nacionais e internacionais” estão incluidos.

Um percentual das receitas de apostas em bets também poderá ser direcionada pelo Ministério do Esporte.

Reitor temporário

“O ministério do Esporte nomeará o primeiro reitor e o vice-reitor com mandato temporário até que a universidade seja organizada na forma de seu estatuto. Caberá ao reitor temporário estabelecer as condições para a escolha do reitor de acordo com a legislação”, estabelece.

Após 180 dias da nomeação do reitor e vice-reitor temporários, a instituição enviará ao Ministério da Educação propostas de estatuto e regimento geral.

Concurso público

De acordo com a autorização de lei orçamentária, a instituição poderá organizar concurso público de provas e de títulos para o ingresso na carreira de professor do magistério superior e na carreira de técnico-administrativo.

Qualificação

O deputado Julio Cesar Ribeiro, relator do projeto aprovado, afirmou que “há poucos profissionais qualificados nas áreas de gestão, ciência do esporte e políticas públicas, contraste com a reconhecida capacidade do país em descobrir grandes talentos esportivos”. Ele diz ainda que “a oferta pública e gratuita de cursos de tecnólogos, graduação e pós-graduação, parece-nos bastante positiva e tende a suprir uma carência histórica dos profissionais do setor".

Segundo os objetivos da universidade, ressaltadas por Ribeiro, está o aumento de oportunidades de acesso à educação formal aos atletas em transição profissional e àqueles que conciliam formação acadêmica e prática esportiva. "Essa previsão é certamente positiva porque, no alto rendimento, a trajetória competitiva não é longeva e é preciso ter atenção ao futuro dos atletas que orgulhosamente nos representam nas competições nacionais e internacionais", declarou.

Opiniões

Já o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), enfatizou que “a criação dessa universidade é muito mais uma demanda da sociedade do que iniciativa do governo. "Isso vem sendo discutido há muito tempo. Todos os esportistas brasileiros pedem que essa universidade exista, inclusive como formadora de atletas e de diretrizes para o esporte brasileiro nas suas variadas modalidades".

Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu “a formação concentrada e dirigida para a política esportiva no país. Temos que aprovar agora para que a universidade possa entrar na LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] em 2026 e 2027, para que ela tenha um orçamento próprio", destacou a deputada, vice-líder do governo.

Ricardo Galvão (Rede-SP), disse que, “ao invés de criar uma universidade, seria mais eficaz criar uma bolsa para os alunos não saírem das universidades que já existem”. Segundo ele, “nas faculdades de esporte do Brasil há evasão de 50%”.

Em sua manifestação o deputado Alberto Fraga (PL-DF), vice-líder da oposição, alertou que “o projeto é "eleitoreiro e populista". "O governo anuncia a criação sem colocar um centavo no orçamento. É marketing puro, é uma promessa vazia que gera manchete hoje e será esquecida amanhã"

Julia Zanatta (PL-SC) criticou “o fato de o governo criar universidades sem conseguir manter as instituições de ensino já existentes”, conclui.

(da Redação, com Ag. Câmara – Edição: Artur Hugen)