31 de julho de 2025
FAKE NEWS

Combater fake news nas escolas é objetivo da ação de pesquisa

O projeto Afonte é uma iniciativa de pesquisadores gaúchos promove formações, conteúdos e ações educativas para fortalecer o pensamento crítico de professores e estudantes

Por Redação, com Assessorias – Edição: Artur Hugen
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A doutora Taís Seibt tem realizado diversas palestras em escolas do Rio Grande do Sul para esclarecer alunos e professores sobre dados e checagem visando combater a desinformação - Foto: Afonte - Porvir - Divulgação

(Brasília-DF, 20/02/2026) Ao concluir seu doutorado como pesquisadora Taís Seibt abordou o tema sobre checagem de notícias. Ela, sentiu a necessidade de transformar seus estudos em ação para combater o avanço da desinformação. 

‘Em 2019, junto com a professora Marília Gehrke, que ainda cursava o doutorado, elas criaram a iniciativa Afonte Jornalismo de Dados, com a ideia de formar cidadãos críticos e unir educação midiática, dados e tecnologia para apoiar professores e estudantes na compreensão do mundo das notícias falsas na esfera digital’

.“Meu doutorado foi sobre checagem de fatos. Fiz a pesquisa entre 2015 e 2018, quando o tema ainda não era tão discutido. A tese acabou ganhando menção honrosa no Prêmio Capes e despertou o interesse de colegas da universidade e do mercado”, conta Taís, que é uma das pesquisadoras referência no Brasil nos estudos de checagem de fatos, também conhecidos como fact-checking.

‘Taís ainda não tinha entrado na docência, mas sentia a necessidade de criar um espaço formal para desenvolver projetos educativos sobre desinformação. Foi assim que ela e Marília começaram a estruturar a Afonte, como um ponto de encontro entre pesquisa acadêmica e práticas educativas’. “Precisávamos de um CNPJ, uma estrutura formal para trabalhar. Era tudo muito colaborativo e voluntário”, lembra.

‘Desde então, a Afonte tem se consolidado como um guarda-chuva de iniciativas voltadas à educação midiática, com foco em temas como checagem de fatos, vida digital, plataformas e dados. Um dos principais projetos é o “Postar ou Não”, um repositório de conteúdos educativos que inclui e-book, site interativo, podcasts e sugestões de atividades para uso em sala de aula.

“O ‘Postar ou Não’ foi pensado como uma ferramenta para a educação, que está disponível em PDF e no site, com atividades que podem ser adaptadas por professores", explica Taís. O conteúdo já tem alguns anos, mas segue atual, porque trata da história e do contexto da desinformação, conta Taís. O projeto teve apoio do Instituto Goethe, de Porto Alegre, e foi distribuído em bibliotecas públicas de diversos estados brasileiros, para que possa ser utilizado como referência em atividades educativas.

‘A linguagem visual do material foi pensada para dialogar com o público jovem’. “Tem um apelo visual que facilita a apropriação pelas escolas”, destaca Taís. Foi assim que a atuação da Afonte se expandiu para além do ambiente universitário, alcançando escolas e professores do ensino básico em diferentes regiões do país.

Plataforma de apoio e inspiração para educadores

Um dos momentos mais importantes na história de Afonte foi o projeto Nuvem (Núcleo Universitário de Educação Midiática) desenvolvido na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), onde Taís é professora, com apoio de um edital do governo da Embaixada e Consulados dos Estados Unidos. A proposta promoveu formações online para cerca de 200 professores da educação básica, que no final dos cursos desenvolviam projetos pedagógicos nos seus contextos escolares.

‘O projeto também resultou em um e-book com propostas elaboradas pelos próprios participantes, que pode servir de inspiração para outros educadores.

Apesar de não atuar diretamente com metodologias específicas para o ensino básico, a Afonte se posiciona como uma plataforma de apoio e inspiração para educadores. “Não temos formação em pedagogia, então nunca nos propusemos a criar metodologias. Nosso papel é oferecer conteúdo e repertório para que os professores adaptem às suas realidades escolares”, explica, Taís Seibt.

“Com uma abordagem respeitosa e colaborativa tem se concretizado oficinas e palestras frequentes em escolas, especialmente no ensino médio. Marília, esclareceu que já realizou várias oficinas em escolas em Porto Alegre, tanto para professores quanto para alunos”. Marília também tem participado de ações como a oficina na Feira do Livro de Porto Alegre. Enquanto, Juliana Coin, é gestora de conteúdo do projeto) está sempre em alguma escola, convidada para falar sobre checagem e educação midiática”, conta Taís.

Dados e checagem para o combate à desinformação

A Afonte tem atuação que se estende à organização de eventos voltados para o jornalismo de dados e inovação cívica, fortalecendo esses temas e estimulando a construção de uma comunidade local de dados em Porto Alegre.

Na qualidade de embaixadora da Open Knowledge Brasil, Taís lidera iniciativas com Dados e o Open Data Day, que promovem o uso de dados abertos e o pensamento crítico em diferentes regiões do país. “Desde 2019, organizamos esses eventos em parceria com a Unisinos, unindo nossas frentes de trabalho acadêmico e comunitário”, afirma.

A proposta também criou a Maratona de Dados, em parceria com o curso de jornalismo da Unisinos, para mobilizar estudantes e especialistas na análise de cenários para identificar problemas e buscar soluções.

Uma das abrangências mais importantes do trabalho da Afonte foi o surgimento do projeto Verifica RS, criado durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. A iniciativa nasceu da mobilização espontânea de voluntários, liderada por Juliana Coin. “Sentimos a necessidade de atuar contra a desinformação naquele momento. Não bastasse a tragédia das enchentes, ainda teve essa tragédia paralela, de uma avalanche de informações falsas, como golpes de Pix e alertas de evacuação falsos”, afirma Taís.

Durante a tragédia das chuvas de 2024, o trabalho da organização mostrou a importância de ter informações corretas. Naquele momento se formou uma rede de voluntários, e as pesquisadoras usaram a estrutura da Afonte para distribuir checagens das notícias nas redes sociais e canais disponíveis. O Verifica RS acabou se tornando um projeto autônomo também com foco em educação. E assim, o projeto que nasceu da pesquisa, mostrou na realidade a importância do combate à desinformação.

(Da Redação, com Assessorias – Edição: Artur Hugen)