Avanços e desafios da Infraestrutura Ferroviária reuniu governo, agências e lideranças do setor na Frenlogi
Frenlogi debateu papel estratégico do traçado ferroviário para o desenvolvimento nacional, apontando soluções para cerca de 10 mil quilômetros de ferrovias atualmente desativadas no país
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(Brasília-DF, 30/04/2026) A Frenlogi - Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura, reuniu parlamentares, representantes do governo federal, especialistas e lideranças do setor para discutir estratégias de expansão da malha ferroviária nacional e os caminhos para ampliar investimentos e integração logística, nesta quarta-feira (29), no tradicional café da manhã, em sua sede no Senado Federal.
O presidente da Câmara Temática Ferroviária da Frenlogi e líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, em sua fala, disse que o encontro é histórico ao reunir sob coordenação da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, órgãos estratégicos responsáveis pela política ferroviária.
“Este encontro é histórico porque supera a fragmentação do setor ferroviário e reúne, pela primeira vez, os principais órgãos em torno de uma mesma estratégia”, afirmou.
Uczai também apontou desafios relacionados ao financiamento da infraestrutura no país, criticando o nível das taxas de juros e defendendo a busca de novas fontes de recursos para projetos de longo prazo. Entre as propostas mencionadas está a atração de R$ 20 bilhões a R$ 50 bilhões de fundos soberanos internacionais, além de uma atuação coordenada entre os ministérios dos Transportes e da Fazenda, o BNDES e o Congresso Nacional.
O parlamentar também destacou o papel estratégico do traçado ferroviário para o desenvolvimento nacional e cobrou soluções para cerca de 10 mil quilômetros de ferrovias atualmente desativadas no país.
Lideranças
Com apoio do Instituto Brasil Logística estiveram presentes o presidente da Frenlogi, senador Wellington Fagundes, pré-candidato do governo de MT; Representando o IBL, participaram o presidente do Conselho Gestor do Instituto, Jesualdo Silva; o diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, Davi Barreto; o diretor-presidente da Associação Brasileira de Portos Secos e Recintos Alfandegados, Elielson Almeida; a diretora de Relações Institucionais Bruna Ponte; o CEO do MoveInfra, Ronei Glanzmann; e o diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Associação Nacional dos Transportadores de Cargas, Carley Welter.
Ainda se fizeram presentes a presidente da Comissão de Turismo da Câmara dos deputados e da Câmara Temática de Portos e Hidrovias, Daniela Reinehr; o diretor de Relações Institucionais da Frente, Edinho Bez, e a diretora executiva do Instituto Brasil Logística, Rebeca Albuquerque.
Pelo governo federal, participaram o secretário nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, Leonardo Ribeiro; o diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério dos Transportes, Felipe Carvalho; o superintendente de transporte ferroviário da ANTT, Alessandro Baumgartner; o gerente de projetos ferroviários da Infra S.A., Wagner Ferreira; o analista da Infra S.A., Urubatan S. T. Filho; e o diretor substituto de Infraestrutura Ferroviária do DNIT, Eloi Filho.
Projetos e investimentos
Na apresentação central do encontro, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, destacou que os avanços legislativos recentes têm contribuído para fortalecer a segurança jurídica e criar um ambiente mais favorável à retomada dos investimentos no setor.
Segundo ele, o custo logístico brasileiro, estimado em cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), compromete a competitividade da economia nacional, tornando essencial a ampliação da infraestrutura ferroviária.
Ribeiro apresentou a carteira integrada de projetos ferroviários estruturada pelo governo federal, com visão de rede e integração nacional. Entre os empreendimentos prioritários estão:
• Transnordestina
• Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO)
• Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL)
• Anel Ferroviário do Sudeste
• Ferrogrão
• Malha Sul
• Projetos de autorizações ferroviárias privadas
O conjunto de iniciativas reúne cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos, com potencial de movimentar até R$ 600 bilhões na economia brasileira.
Na área de financiamento, o secretário explicou que a estratégia do governo se apoia em três pilares principais: aportes públicos para implantação da infraestrutura, financiamento de longo prazo, incluindo recursos do Fundo Clima e mecanismos de garantia, como contas vinculadas.
Multimodalidade e logística
A deputada Daniela Reinehr ressaltou que o desenvolvimento da infraestrutura logística deve estar alinhado aos interesses estratégicos do país, especialmente no que diz respeito à industrialização e à agregação de valor à produção nacional.
“Regiões só se desenvolvem plenamente quando a infraestrutura acompanha o crescimento econômico. Industrializar sem logística adequada trava o desenvolvimento”, afirmou.
Ela também destacou o potencial do Fundo Clima como instrumento de financiamento para projetos ferroviários e defendeu maior rigor na fiscalização das concessões ferroviárias, especialmente na devolução de trechos ao poder público.
Durante o encontro, Ronei Glanzmann destacou que o país possui um pipeline robusto de projetos ferroviários estruturantes, para o transporte de cargas.
Glanzmann alertou para a redução do número de passageiros transportados sobre trilhos no Brasil, tendência que contrasta com o crescimento desse modal em outras regiões do mundo, e reforçou a importância da multimodalidade para o sistema logístico nacional. Ele também defendeu celeridade na aprovação do Projeto de Lei nº 2373/23, que trata do novo marco de concessões e parcerias público-privadas.
Davi Barreto também reforçou a importância da aprovação da proposta. Segundo ele, a medida fortalece a agenda ferroviária ao ampliar a segurança jurídica dos projetos.
“O apoio institucional da FRENLOGI e do Instituto Brasil Logística será fundamental para consolidar as contas vinculadas como instrumento capaz de impulsionar investimentos e garantir maior equilíbrio contratual no setor ferroviário”, afirmou.
Portos secos e comércio exterior
Elielson Almeida destacou que o setor de portos secos e centros logísticos representa uma fronteira importante para o fortalecimento da multimodalidade no Brasil.
Segundo ele, o avanço da infraestrutura ferroviária é fundamental para melhorar a logística do comércio exterior e ampliar a eficiência no escoamento da produção nacional.
Participam também representantes de empresas e entidades que apresentaram aos parlamentares e autoridades do governo demandas do setor, além de apontarem desafios relacionados à execução de obras, à integração logística e às condições de infraestrutura em diferentes regiões do país.
FRENLOGI e IBL
O senador Wellington Fagundes destacou que o avanço das ferrovias no Brasil exige articulação institucional permanente e perseverança.
“O papel da Frente Parlamentar e do Instituto Brasil Logística é fornecer inteligência técnica ao Poder Executivo para que as decisões sejam fundamentadas”, afirmou.
Fagundes também mencionou os desafios logísticos no Mato Grosso, citando a entrega iminente de um novo trecho ferroviário e de um terminal de grãos operado pela Rumo, o que exigirá planejamento integrado no escoamento da produção.
O presidente do Conselho Gestor do Instituto Brasil Logística, Jesualdo Silva, destacou que a entidade reúne 21 associados, entre associações setoriais e empresas do setor logístico, responsáveis por apoiar tecnicamente as iniciativas e estudos promovidos pela Frente Parlamentar.
A diretora executiva do Instituto Brasil Logística, Rebeca Albuquerque, reforçou o papel do Instituto na promoção do diálogo entre setor público e iniciativa privada.
“A intenção é continuar colaborando para que esses espaços de diálogo da FRENLOGI estejam realmente de portas abertas para os temas mais relevantes da logística nacional”, afirmou.
Participação do setor
O encontro reuniu ainda a diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia; o presidente da Estação Luz Participações, Guilherme Quintela; o diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz; o CEO da Petrocity e presidente da Associação Brasileira de Ferrovias Autorizadas (ABRAFA), José Roberto Barbosa; a consultora da Rumo, Marinez Chiele; representantes da ANETRAMS, entre outros convidados.
(Da Redação com Kathia Marçal, Janaína Valadares – Edição: Bancada Sulista)