Fatos do PLANALTO: Michelle ocupa espaço político que seria de Flávio Bolsonaro, por José Natal
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Por José Natal*
O tiro com a bala de prata que Jair Bolsonaro acreditava ter disparado, ao indicar o filho Flávio como candidato à Presidência da República, parece que tende a sair pela culatra.
Além das trapalhadas do passado, que, quando de fato em campanha, terá que explicar, o candidato tem agora a sombra permanente do nome de Michelle Bolsonaro, sondado pelas pesquisas para que ocupe o seu lugar.
Como todos viram e anotaram, a última fornada do Datafolha (22-05) apontou queda do candidato e uma alavancada consistente do nome da ex-primeira-dama, que, em silêncio, começa a fazer barulho, tirando o sono de apoiadores já meio assustados ou irritados.
Em campanha em Brasília, visando o Senado Federal, Michelle dispara na ponta, encanta os evangélicos e visita comunidades da periferia, pregando benesses que seu partido (PL) trará a todos, caso ela seja eleita. Até agora, tropeçando nas palavras para explicar os milhões que recebeu de Daniel Vorcaro, o candidato Flávio confunde todos a seu redor e transpira insegurança.
Como era esperado, demitiu alguém da comunicação, sinaliza buscar socorro em Donald Trump e se demonstra frágil frente à possível insistência daqueles que não se cansam, sugerindo a indicação de Michelle para seu lugar.
Resvala no ridículo essa besteira de político brasileiro ficar se esfarelando diante de poderosos americanos, como se bastasse visitar a Casa Branca para ter atestado garantido de voto. Até os muros e as plantas que cercam a campanha do candidato indicado pelo PL (Partido Liberal) já notaram sua fragilidade, insegurança e dificuldades visíveis para explicar o que não se explica.
Também há por ali, por incrível que pareça, cabeças pensantes e com vontades próprias, que enxergam com os próprios olhos, aos poucos percebendo a furada em que se meteram. Aliados mais cascudos do grupo de bolsonaristas, ainda um pouco receosos, mas preocupados com o futuro que se avizinha, já ligaram o sinal de alerta.
De Teresina, capital de seu Estado (Piauí), Ciro Nogueira, peso pesado e influente por onde quer que passe, foi o primeiro a se pronunciar sobre essa avalanche de “conversas de matildes” que o candidato se utiliza para revelar onde está a chave do cofre que guarda as moedas doadas por Vorcaro.
Enfático, o senador, que mesmo ainda às voltas com perguntas a responder para a Polícia Federal, lembra que, diante de tantas acusações, não basta esboçar um sorriso irônico e alegar perseguição política.
Pelos corredores do ambiente político de Brasília, onde tudo acontece, nove em cada dez “cientistas” políticos de plantão, com extrema sabedoria, flertam com uma inevitável onda de críticas e insinuações, sugerindo a chamada troca de candidatos no berço bolsonarista, com o receio de um fracasso precoce do guapo indicado pelo pai protetor.
Barulhento, como sempre foi, o pastor Malafaia, aos gritos pela rede social, também já mandou recados aos mais próximos, exigindo que se respeite o processo e que Flávio se comporte como manda a lei dos bons costumes.
Seria exagero, ou talvez desonestidade, afirmar com certeza que há pânico e desespero dominando o quadro interno da equipe Flávio. Mas também é verdade que, em campanha política, tudo aquilo que se comenta como fator negativo é verdade, geralmente é.
Sabe-se lá como Michelle Bolsonaro, até agora, está sendo cortejada por futriqueiros da campanha, para que ela se apresente mais ativa em defesa do candidato, pela sua vitória.
Da mesma forma, também é mistério o que de fato existe nos bastidores para que se intensifique a indicação de seu nome para o lugar de quem, até o momento, realizou menos do que prometeu e gerou mais problemas do que soluções.
Subindo nas pesquisas, e ainda evitando confrontos que por agora seriam desgaste, Luiz Inácio avança pelo meio e pelas pontas; os zagueiros que se cuidem. Eleição no Brasil, aqui, é emoção….
*José Natal é jornalista