Gestão, com governança, inova debates nas eleições de Brasília, por José Natal
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Inaugurada em 21 de abril de 1960, apresentada ao mundo como um dos projetos arquitetônicos mais modernos e arrojados do século XX, Brasília, capital da República, agora aos 66 anos, aponta fadiga operacional em vários setores, transtornos habitacionais em seu entorno e congestionamentos de toda ordem nos sistemas viários e de transporte.
A ocupação desordenada das regiões vizinhas ao Plano Piloto da capital (satélites e condomínios), crescente a cada ano, preocupa quanto ao desconforto social que sufoca comunidades carentes de segurança pública adequada, saúde e redes sanitárias precariamente instaladas.
O nome disso é falta de gestão, programação organizada do que fazer, como fazer e fazer com as pessoas certas. Na verdade, ação posta em prática do verdadeiro exercício pleno da governança, atividade hoje fundamentalmente necessária para o bom andamento dos trabalhos de dirigentes, administradores e de todos aqueles que, de alguma forma, legalmente exerçam uma atividade que exija responsabilidade na execução de tarefas públicas e no comando de grupos sociais.
Especialista em governança pública, com bagagem sobre o assunto adquirida ao longo de anos de estudos, pesquisas e experiências práticas e modernas no Brasil e no exterior, Cristiane Nardes (44 anos), da Rede de Governança Brasil (RGB), lembra que o distanciamento entre o planejamento inicial de Brasília e a realidade atual ajuda a explicar a complexidade e o acúmulo de problemas hoje existentes, taxados por ela como dura realidade.
Cristiane traz na sua história de vida raízes profundas que a ligam a temas dessa natureza. É filha de Augusto Nardes, gaúcho de Santo Ângelo (74 anos), um veterano pesquisador, defensor da prática e execução eficiente do processo de governança, insistentemente defendido por ele por meio de livros, palestras e eventos em todo o Brasil e outros países onde residiu e trabalhou.
Ministro do Tribunal de Contas da União, também teve destacada carreira política, além de ter sido deputado federal por três mandatos.
Herdando do pai a verve política, Cristiane encara agora novo desafio e se lança pré-candidata a deputada distrital pelo partido Republicanos, inovando a disputa, içando a bandeira da governança, otimista e convidando a população a se aprofundar numa causa, para ela, de importância vital ao bem-estar coletivo.
Com reconhecida competência profissional por onde passou, Cristiane, sem agressividade, mas com evidente mágoa e desconforto, registra a forma como foi afastada do Governo do Distrito Federal, onde atuou como Secretária de Governança e Compliance (2019), para ela, de forma injusta, sendo impedida de implantar projetos que seriam úteis à comunidade.
Suas críticas ao ex-governador Ibaneis Rocha são pontuais, sem rodeios. Já em contato com aliados e comunidades ao redor de Brasília, ela tem afirmado que o país enfrenta atualmente uma série de desafios para concretizar políticas públicas nas áreas de educação, saúde e infraestrutura, o que dificulta o desenvolvimento econômico e social.
Registra também que, mesmo com a atuação efetiva do TCU, é necessária uma atividade de fiscalização eficiente para que, de fato, transforme o Brasil no país do futuro.
O tema governança, é bom que se diga, para muitos brasileiros ainda soa como algo novo aos ouvidos, mensagem ainda sendo trabalhada com insistência por aqueles que sabem de sua importância.
Fora de dúvida, a abordagem do tema governança talvez seja a pauta levada à opinião pública que mereça um olhar mais cuidadoso por parte do eleitor. Vale a pena observar e avaliar.
Governo, governar e governança. Tudo a ver, toda hora e sempre.
José Natal
Jornalista