Comunidades Quilombolas ganha espaço de participação e diálogo na 49ª Expointer
vEJA MAIS
Publicado em
(Brasília-DF, 01/09/2026) Representantes de comunidades quilombolas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul participaram de uma programação voltada à troca de experiências, à valorização de saberes e ao debate sobre os desafios enfrentados pelos territórios. A atividade foi realizada no espaço da Emater/RS-Ascar, cujo tema deste ano é “Família e suas ruralidades”, no primeiro dia da 49ª Expointer (29/8). A feira é realizada no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
A programação abriu espaço para manifestações das próprias comunidades sobre produção, cultura, educação, saúde, permanência no campo e reconhecimento de suas especificidades. Participaram da atividade quilombolas de Mostardas, Tavares, Palmares do Sul e São José do Norte, além de extensionistas, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas.
Na abertura, o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, destacou o trabalho desenvolvido junto às comunidades e a importância de manter espaços para que suas demandas e experiências integrem as discussões da extensão rural e social. “Que esse dia seja proveitoso para debater os trabalhos que se fazem em conjunto”, afirmou.
“O Dia Quilombola na casa da Emater é uma conquista quilombola construída em parceria com diversos agentes. Um ambiente de diálogo em favor da agricultura quilombola como parte constitutiva da agricultura familiar gaúcha”, ressaltou a extensionista rural Regina Miranda.
Da invisibilidade à ocupação dos espaços
Uma das manifestações foi de Flávio Machado, da comunidade quilombola de Vila Nova, de São José do Norte. Ao recordar visitas à Expointer no final da década de 1990, ele relatou que, naquela época, não se reconhecia naquilo que encontrava na feira.
“Minha participação ocorria apenas pela condição de agricultor familiar, sem que a identidade quilombola estivesse representada”, disse ao reforçar a necessidade de se considerar as particularidades sociais, culturais e produtivas dos territórios no trabalho de assistência técnica e extensão rural e social. “Reconhecer essas diferenças é fundamental para que as comunidades possam participar efetivamente dos processos de desenvolvimento rural. E ocupar esses ambientes nos permite mostrar outras formas de viver, trabalhar e produzir”, argumentou.
Machado finalizou relacionando a permanência de novas gerações no meio rural à necessidade de acesso ao conhecimento e a tecnologias capazes de reduzir a penosidade do trabalho nas propriedades.
Famílias e suas ruralidades
A extensionista rural Fernanda Gilli explicou que, além dos quilombolas, o espaço da Emater/RS-Ascar dará visibilidade à diversidade existente no meio rural durante todo o evento. “A proposta é mostrar que não há uma única forma de viver, produzir e se relacionar com o território, mas que há diferentes famílias, culturas, saberes e modos de vida”, detalhou.
A extensionista acrescentou que considerar essas particularidades é fundamental para um trabalho capaz de contribuir para a autonomia das famílias, a geração de renda, a segurança e a soberania alimentar, bem como para a sucessão rural e a participação de mulheres e jovens.
Expointer 2026
“A feira é um momento importante no calendário cultural e econômico do Rio Grande do Sul, mobilizando um setor fundamental, o agronegócio, responsável por mais de 40% do PIB do Estado”, disse o governador Eduardo Leite.
A Expointer de 2026 será de carbono neutro, com ação realizada pela empresa CRVR, selecionada por meio de edital público da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), utilizando créditos de carbono certificados. O processo inclui a elaboração de um inventário das principais fontes de emissão da feira, com a conversão dos dados em toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e), seguida da compensação com base em metodologia internacional (GHG Protocol), que considera carbono neutro os eventos em que as macrogerações são compensadas, assegurando transparência e padronização.
Programação, acessibilidade e agricultura familiar
A Expointer 2026 registra 7.926 animais de argola e rústicos inscritos. O Expointer 360º estará novamente disponível para auxiliar o público na circulação pelo Parque. O Pavilhão Internacional receberá o Querência Inclusiva, espaço destinado ao acolhimento de pessoas autistas, neurodivergentes e seus familiares. A estrutura contará com ambiente de convivência, área infantil, sala de regulação sensorial e local para orientação às famílias.
O Pavilhão da Agricultura Familiar contará com 509 expositores. Serão representados 218 municípios do Rio Grande do Sul. Do total de participantes, 400 são agroindústrias familiares, 74 atuam no artesanato e 28 trabalham com plantas, mudas e flores. Entre os empreendimentos de artesanato, oito são indígenas e três, quilombolas.
Um dia para cada público
- Sábado (29/8) – Remanescentes de quilombolas
- Domingo (30/8) – Assentados da reforma agrária
- Segunda-feira (31/8) – Pesca artesanal e aquicultura
- Terça-feira (1º/9) – Agricultura familiar
- Quarta-feira (2/9) – Juventude rural
- Quinta-feira (3/9) – Pecuária familiar
- Sexta-feira (4/9) – Mulheres rurais
- Sábado (5/9) – Indígenas
- Domingo (6/9) – Agricultura urbana
(Da Redação com Emater-RS – Edição: Artur Hugen)