31 de julho de 2025
OPINIÃO

Olha a história a nossa frente!

Fachin tem a oportunidade, prestes a uma eleição presidencial, de dar início a mudanças para deixar tudo do jeito que está.

Por Genesio Araújo Jr para Política Real
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O Leopardo Foto: L& PM Editores

(Brasília-DF) Quem vive a vida normal somos nós todos que acordamos todos os dias e buscamos a sobrevivência comum, vivemos com os nossos, os outros, pulsamos, trabalhamos, estudamos, amamos e odiamos, mas parece que precisamos ver além de nós, os verdadeiros condutores de nossas vidas. O problema não somos nós, mas os outros!

No momento, parece que todos os nossos problemas são causados por 10 pessoas que usam capas pretas no Supremo Tribunal Federal. É claro que eles decidem sobre coisas importantes em nossas vidas, mas eles não são o motivo de nossos problemas.

Pesquisa do importante Datafolha revelou que uma média de 85% dos brasileiros e brasileiras não vão mudar seus votos no dia 4 de outubro vindouro por conta dos tais ministros. Provavelmente essa seja a proporção de nascidos tupiniquins que acreditam em Deus! Mas, então, por qual razão estamos crentes que tudo se resume ao Supremo Tribunal Federal e seus membros?!

Estima-se, segundo muitas outros pesquisas, que 32 % dos eleitores que podem ir às urnas não são contaminados, se assim se pode dizer, pelo Fla-Flu, por lulismo e bolsonarismo!  Enfim, boa parte dos chamados independentes também não estão nem aí com o que se vai decidir na terça-feira, 15, ou no dia 23 sobre processos que podem ser abertos contra o ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça!

O então criticado ministro Edson Fachin, tido como fraco e como um sem-turma, é hoje a única pessoa naquela corte que vem tomando decisões absolutamente respeitáveis.

Edson Fachin não tem o charme dos personagens do livro “O Leopardo”, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa e nem do personagem aristocrata Tancredi Falconieri que diz num momento, em que se avalia a chegada da República na Itália prestes a ser unificada, a clássica frase: "Se quisermos que tudo permaneça como está, é preciso que tudo mude".

Fachin tem a oportunidade, prestes a uma eleição presidencial, de dar início a mudanças para deixar tudo do jeito que está. No caso, não falo de nada mudar, pois uma Reforma do Judiciário virou inadiável para definir novas formas de um Supremo Tribunal Federal.

Nosso modelo é o dos Estados Unidos com indicação presidencial, notório saber jurídico, referendado pela chamada Câmara Alta e com mandatos vitalícios.

Muito se fala sobre mandatos, o que surge oportunista e politiqueiro, no entanto surge unânime que a vitaliciedade dever ser marcada com data certa. Lá nos Estados Unidos, os ministros não tem esse limite. Parece unânime, também, que a mudança deve impor uma idade mínima mais elevada.

Não se sabe o que o plenário do STF vai decidir no dia 15 e nem no dia 23, mas é legítimo, pois ninguém está acima da lei, que neste dia 15 se abra uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes pois ele nunca veio a público dar explicações sobre sua relação com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, o corruptor geral da República.

O desprovido de charme histórico, Edson Fachin, precisa ir além da provocação do personagem chave de Lampedusa.

Ele precisa ser o que não se esperava dele. Alguém capaz de fazer as mudanças duras e necessárias, que a história lhe dá, para que os traumas sejam próprios ao que nossa democracia precisa para manter as instituições funcionando.

Que setembro é esse!?

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

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