31 de julho de 2025
Lula nos EUA

Lula, na ONU, tratou, com destaque, das eleições no Brasil é que o que está em jogo é "decidir entre democracia e negacionismo"; “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse em recado aos EUA

Veja os principais pontos da fala em Nova York

Por Redação com informações de agências - Edição: Política Real/Bancada Sulista
Publicado em
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua fala na Assembleia Geral da ONU, em Nova York - Foto: Ricardo Stuckert

(Brasília-DF, 22/09/2026) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua fala na abertura da 81ª Assembleia das Nações Unidas (ONU) além de fazer a defesa do multilateralismo, como já venha apregoando, ele disse que o Governo de Israel foi genocida e pela primeira vez chamou o Hamas de terrorista.

Lula, ao final de sua fala, fez um discurso muito voltado para a cena brasileiras que está há 12 dias das eleições presidenciais

Lula falou sobre as eleições presidenciais e disse que a votação não servirá apenas eleger o presidente, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo, mas para "decidir entre democracia e negacionismo".

Segundo o presidente brasileiro, a eleição vai definir "se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão".

Lula ressaltou que o pleito é "transparente e competitivo" e que todos os candidatos "desfrutam da mais ampla liberdade de expressão".

O presidente afirmou, porém, que "interesses estrangeiros contrários ao país" têm abusado dessa liberdade de expresão.

"Não subestimamos o desafio da rede de desinformação que pretende desvirtuar o debate público durante a campanha. Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto, sob olhar atento de cidadania plural e de uma imprensa livre", disse.

Lula também defendeu a soberania do Brasil: "Não permitiremos que inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará deste caminho".

O presidente encerrou seu pronunciamento com "que Deus nos abençoe a todos e muito obrigado".

Antes

Lula iniciou sua fala afirmando que este é o momento mais crítico das Nações Unidas desde 2003, quando se tornou presidente pela primeira vez.

Segundo o presidente brasileiro, o Conselho de Segurança, seus membros e o mundo está falhando em proteger a população das guerras.

"A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas. A de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército nem arsenais nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um conselho de segurança que não cumpre seu papel", disse Lula.

No início de seu discurso, Lula também falou sobre a guerra em Gaza, o "genocídio praticado pelo governo Netanyahu" e "os atos terroristas do Hamas".

"Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixado pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelentes pagaram o preto do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas", criticou o presidente brasileiro.

"As concessões à lei do mais forte já passaram dos limites", diz Lula.

O presidente brasileiro disse ainda que é um representante de uma nação que defende a paz e a liberdade. Segundo Lula, a guerra é a "falência total da política".

"O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir", afirmou.

Lula é aplaudido ao elogiar a resolução histórica adotada pela Assembleia Geral da ONU em março de 2026 que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”.

"Essa assembleia corrigiu recentemente distorções históricas. Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade", disse, sendo aplaudido.

"Aprovou a representação mais precisa do mapa mundi. Agora, deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e unilateralismo. Democracia e extremismo. Soberania ou subordição. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos", disse.

'Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras'

"Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir a população o direito de viver sem medo", disse Lula, em uma referência às cobranças dos EUA para combate ao crime organizado no Brasil

"Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas", disse o presidente brasileiro, "precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado".

Segundo Lula, esse é o ponto central da proposta sobre combate ao crime enviada pelo seu governo ao presidente dos EUA, Donald Trump.

O presidente ressaltou ainda que o país está preparado para o desafio de enfrentar as organizações criminosas.

"O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados, mães perdem seus filhos, policiais não voltaram para as suas casas. As pessoas estão cansadas da violência", disse.

"Em 2025 realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil. Batemos recorde de apreensão de drogas, de bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A lei antifacção, que acabamos de aprovar, impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo. Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei."

Lula é aplaudido ao elogiar a resolução histórica adotada pela Assembleia Geral da ONU em março de 2026 que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”.

"Essa assembleia corrigiu recentemente distorções históricas. Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade", disse, sendo aplaudido.

"Aprovou a representação mais precisa do mapa mundi. Agora, deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e unilateralismo. Democracia e extremismo. Soberania ou subordição. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos", disse.

Lula também falou sobre a interferência dos EUA na América Latina.

"Na América Latina e Caribe, a proximidade com a maior potencia militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas", disse.

"O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos."

(Da Redação com informações de agências - Edição: Política Real/Bancada Sulista)