31 de julho de 2025
ELEIÇÕES 2026

Brasil chega a sua maior eleição da história com 158,7 milhões de eleitores aptos a votar marcada com a possibilidade de um 4º mandato para Lula ou o retorno dos Bolsonaro ao poder

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Por Politica Real com agências
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Lula e Fávio na reta final das campanhas serão, certamente, os decisivos nesta disputa histórica Foto: Montagem Política Real

(Brasilia-DF,04/10/2026). Neste domingo,4 de outubro, finalmente, chegamos a data da maior eleição da história do Brasil com 158,7 milhões de brasileiros a vota. Uma eleição que chama atenção do Mundo com um destaque especial marcado com inéditos alarmes distribuídos em várias embaixadas de possível violência, algo que não se vê no dia-a-dia do país.  A votação já começou em diversos países do Mundo, especialmente no Oriente que estavam aptos a votar.

Quatro anos após o duelo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, os brasileiros vão às urnas numa disputa presidencial que vai reunir novamente os mesmos sobrenomes e que caminha para ser apertada, de acordo com pesquisas.

Apesar de contar com 12 candidatos, a campanha se desenhou desde o ano passado para mais um duelo de duas personalidades que representam dois projetos e visões de Brasil antagônicas: Lula (PT) x  Flávio Bolsonaro (PL).

Lula, de centro esquerda e vencedor do tenso pleito de 2022, está novamente na corrida para tentar garantir um quarto mandato, que pode lhe levar a soma 16 anos à frente da Presidência - ficando atrás apenas de Getúlio Vargas, que acumulou 18 anos na história da República.

Já Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pretende levar novamente a ultradireita brasileira ao poder depois da derrota de 2022 e garantir a libertação do seu pai, em prisão domiciliar desde o ano passado após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.

Uma eventual vitória de Lula pode manter a centro esquerda no poder do maior país da América do Sul, após uma onda de países da região como a Argentina, o Chile, a Colômbia e o Peru elegerem presidentes de ultradireita nos últimos anos. Já a chegada de Flávio Bolsonaro ao Planalto ocorreria no contexto da expansão da influência dos EUA de Donald Trump na região. Desde o ano passado, a Casa Branca, agiu diversas vezes para criar dificuldades para o governo Lula e tentar beneficiar a família Bolsonaro.

Mas os EUA não foram os únicos a lançar uma sombra sobre a eleição. O ciclo eleitoral todo foi dominado por diversas crises, especialmente a do Banco Master, que precipitou uma convulsão no Supremo Tribunal Federal (STF) . Flávio Bolsonaro, apesar de pessoalmente implicado no escândalo Master, ainda assim conseguiu permanecer poucos pontos percentuais atrás de Lula nas pesquisas. As crises também obscureceram a discussão de propostas ao longo da campanha, com o cancelamento do último debate simbolizando a falta de confronto de programas.

Uma campanha sem reviravoltas nas pesquisas

Apesar da revelação de sucessivos escândalos ao longo do último ano, que se acentuaram a partir de setembro, a corrida eleitoral foi marcada por uma persistente estabilidade nas pesquisas, com pouca diferença se abrindo entre Lula e Flávio.

Flávio, após anunciar sua pré-candidatura em dezembro de 2026, já estreou em uma pesquisa Nexus de voto estimulado, no fim de março, com 38%. Lula, por sua vez, apareceu com 41%. Candidatos alternativos somaram apenas 12%.

O cenário se repetiu pelos próximos seis meses, com poucas oscilações e movimentos de eleitores, apontando para mais uma eleição polarizada e que deve ter como fator decisivo a rejeição dos candidatos e o voto útil. Os dois candidatos chegaram a faltar em repetidos debates presidenciais, estratégia comum de líderes nas pesquisas desde a redemocratização do país.

Na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado ,03, véspera do pleito, Lula apareceu com 45% das intenções de voto válidos, contra 42% de Flávio. Os dois estão tecnicamente empatados. Analistas apostam que a eleição, a exemplo de 2022, deve mais uma vez ir ao segundo turno com uma diferença apertada, e com a maioria dos levantamentos apontando ainda um desfecho incerto na segunda rodada, marcada para 25 de outubro.

Lula em busca do quarto mandato

Nas 10 eleições presidenciais disputadas no período da redemocratização, Lula foi ou tentou se apresentar como candidato em oito delas. Com o presidente se aproximando dos 81 anos, essa pode ser a última disputa presidencial com seu nome nas urnas.

Preso e barrado do pleito de 2018, Lula protagonizou uma das reviravoltas políticas mais dramáticas da história ao derrotar em 2022 o então presidente Jair Bolsonaro e conquistar um terceiro mandato, na que foi a eleição mais apertada desde a redemocratização.

Nos últimos quatro anos, o presidente reposicionou o país no cenário internacional, após os anos de isolamento sob Bolsonaro. Vários indicadores econômicos mostraram sinais de melhora após declínio no final da gestão Bolsonaro. O país registou números recordes de empregabilidade, com uma taxa de desemprego de 5,3%, assim como os menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica (desde 2012). Entre as promessas cumpridas por Lula desde 2022, estão a aprovação da reforma tributária e da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

No entanto, o governo permaneceu sem solucionar problemas como o déficit das contas públicas público e ainda viu índices como inadimplência explodirem. Apesar da melhora de vários índices, houve a persistência de um sentimento negativo entre muitos eleitores em relação ao custo de vida, de forma semelhante ao que ocorreu com o ex-presidente democrata Joe Biden nos EUA em 2024.

Ao longo da campanha, Lula apostou tanto na sua biografia quanto num discurso de defesa da soberania frente às investidas dos EUA. O slogan da campanha foi "O Brasil pronto pra mais". O petista ainda manteve as alianças com antigos rivais, como seu atual vice Geraldo Alckmin (PSB) e as ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet.

Na campanha de 2026, Lula se manteve no topo das pesquisas, mas sua popularidade permaneceu distante dos níveis observados em 2010, quando completou seu segundo mandato. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostrou que 49% desaprovam e 48% aprovam o governo de Lula.

Com uma vantagem não muito confortável sobre Flávio, Lula apostou na reta final em "pacotes de bondades", como reajuste no Bolsa Família, distribuição de canetas emagrecedoras no SUS e a proibição das bets, esta última uma medida popular entre a maioria dos brasileiros. Lula também ampliou ataques ao adversário Flávio, afirmando que está enfrentando um "chefe de quadrilha" nestas eleições.

Com 80 anos e prestes a completar mais um aniversário, Lula já havia sido a pessoa mais velha da história republicana do Brasil a tomar posse como presidente em 2022. Apesar da idade avançada, o tema pouco entrou na campanha, com Lula contornando o assunto com intensa participação em comícios e com a publicação de vídeos que o mostravam fazendo exercícios físicos, tudo para demostrar que ele continua com disposição para um novo mandato.

Flávio tenta reabilitar bolsonarismo após derrocada

Senador de 45 anos que substituiu seu pai declarado inelegível, Flávio inicialmente se lançou à Presidência no ano passado no que parecia uma mera manobra política de "troca de moeda" que ainda poderia abrir caminho para outro candidato de ultradireita. Mas ele rapidamente foi bem-sucedido em herdar boa parte do capital político de Jair e se cacifar como o principal desafiante da candidatura à reeleição de Lula.

Apesar de tentar se apresentar como um rosto mais "moderado" do clã Bolsonaro, Flávio não expressou muitas diferenças em relação às políticas do seu pai, que representava uma agenda que mesclava fundamentalismo cristão, desprezo pela separação de Poderes, rejeição a valores progressistas, promoção do armamento da população e flexibilização de regras ambientais. Caso eleito, Flávio, a exemplo do seu pai e outros ultradireitistas latinos, também já deixou claro que deseja redirecionar a política externa do Brasil para os EUA de Trump.

Nos últimos meses, Flávio alimentou dúvidas sobre as urnas eletrônicas – ainda que com menos frequência que seu pai em 2022 – e em alguns momentos desconversou se vai reconhecer uma potencial derrota.

Liderando uma campanha revanchista após a derrocada de Jair, que não se reelegeu e ainda acabou preso e condenado, Flávio prometeu "fazer justiça" pelo pai e anistiar os envolvidos no ataque golpista de 8 de janeiro de 2023.

Sem o poder da máquina pública que seu pai contou na última eleição, Flávio utilizou críticas ao custo de vida, preço dos alimentos, corrupção e situação da segurança pública como alguns temas de campanha.

Mas sua candidatura focou especialmente num discurso "anti": antilulopetista e anti-STF. Flávio tentou mesclar os escândalos envolvendo o Supremo ao presidente, argumentando que ministros da Corte atuam como "agentes políticos do Lula".

No entanto, o próprio Flávio se viu ao longo da campanha envolvido no escândalo Master, especialmente após a revelação que o senador pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do seu pai. Inicialmente, Flávio mentiu sobre o seu relacionamento com o banqueiro caído em desgraça.

Outras situações de tensão ocorreram, como um desentendimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado nestas eleições. As articulações da família Bolsonaro, especialmente de Eduado Bolsonaro,  junto ao governo Trump, que no ano passado já haviam resultado em sanções contra ministros do STF, também se voltaram em parte contra a candidatura quando os EUA lançaram novas tarifas contra o Brasil em julho, levando Flávio a ficar na defensiva.

O mesmo ocorreu quando o senador se viu envolvido numa polêmica sobre supostos planos envolvendo a retirada do título de Nossa Senhora de Aparecida como padroeira do Brasil para agradar seus eleitores evangélicos.

Ainda assim, a sucessão de turbulências não foi suficiente para levar Flávio a perder força nem mesmo na reta final da campanha. Com a força do sobrenome, Flávio ainda neutralizou rivais de direita que se apresentaram como alternativas na eleição. Apesar de não ter conseguido forjar alianças fora do seu campo no primeiro turno (Flávio disputa com um vice também do PL), a expectativa é que o senador consiga atrair legendas do Centrão no caso de um segundo turno, o cenário provável na véspera da eleição.

Flávio Bolsonaro ao lado do americano Donald Trump em maio. Casa Branca tentou emparedar governo Lula e STF, além de agir para beneficiar família Bolsonaro

( da redação com agências. Edição: Política Real)