Seminário do IBRAM avalia que reconfiguração geopolítica reforça papel estratégico do Brasil no Mercado de Mineiras críticos
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(Brasília-DF, 10/05/2026) Reservas minerais expressivas, oferta de energia e capacidade de atrair investimentos colocam o Brasil em posição privilegiada para atender à crescente demanda mundial por insumos essenciais à transição energética e às novas tecnologias, dizem especialistas no Seminário Internacional do IBRAM que se realiza no Centro de Eventos Brasil 21, em Brasília.
“O Brasil reúne condições para se consolidar como um dos principais protagonistas globais no mercado de minerais críticos e estratégicos. Essa avaliação foi compartilhada por especialistas e representantes do governo durante o painel “Segurança Mineral e o Papel Estratégico do Brasil”, realizado no evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).
Moderado pelo diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário, o debate contou com a participação do diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, Christopher Garman, e do secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Maurício Carvalho Lyrio.
Para Maurício Lyrio, o diferencial brasileiro vai além da expressiva disponibilidade de recursos minerais. Fatores como a oferta de energia, a tradição diplomática de autonomia e o potencial para agregar valor à produção fortalecem o papel do país em um cenário global cada vez mais competitivo.
“O Brasil tem condições muito especiais para se destacar no mercado global de minerais críticos. Além das reservas minerais, o país conta com disponibilidade de energia, autonomia diplomática e capacidade de desenvolver políticas que ampliem a agregação de valor à produção. Trata-se de uma oportunidade estratégica para fortalecer o desenvolvimento nacional e a posição brasileira no cenário internacional”, afirmou.
A avaliação é reforçada, segundo Christopher Garman, pelo atual contexto internacional, marcado por uma profunda reconfiguração geopolítica e pela crescente disputa por recursos considerados estratégicos para a economia e a segurança global.
“Vivemos um momento de profunda transformação geopolítica, e o Brasil está particularmente bem posicionado nesse novo cenário. A combinação de minerais críticos, energia, produção de alimentos e capacidade de atrair investimentos faz com que o interesse global pelo país esteja crescendo de forma significativa”, destacou o diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group.
Na visão de Pablo Cesário, o Brasil tem condições de exercer um papel mais ativo na definição dos rumos globais dos minerais críticos: “O Brasil fala de igual para igual com americanos, chineses e europeus, mas também compreende a necessidade de gerar riqueza e desenvolvimento para a sua população. Por isso, temos condições não apenas de participar desse debate, mas de ajudar a construir os termos de um novo arranjo global para os minerais críticos”, afirmou.
Políticas Públicas
O Deputado Arnaldo Jardim (Cidadania – SP) falou sobre o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), com incentivos governamentais a projetos de processamento e transformação realizados no país. O projeto de Lei 2780, de 2024 é de autoria do deputado Zé Silva (União-MG) e tem como relator, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).
Durante o Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estragégicos, o deputado afirmou que a proposta cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União para garantir empreendimentos e atividades vinculados à produção de minerais críticos e estratégicos.
O deputado afirmou também que está “previsto um programa específico para incentivar o beneficiamento e a transformação de minerais críticos e estratégicos no próprio país, com incentivos federais de R$ 5 bilhões em créditos fiscais ao longo de cinco anos”.
“O fundo a ser criado somente poderá apoiar projetos considerados prioritários no âmbito da política nacional do setor. Essa decisão caberá ao Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), órgão também criado pelo projeto e que decidirá quais substâncias se enquadram como minerais críticos e estratégicos, atualizando a lista a cada quatro anos, com alinhamento ao plano plurianual”.
Arnaldo Jardim afirmou ainda que “a indústria de minerais críticos e estratégicos no Brasil representa uma janela de oportunidades para o desenvolvimento do país e gerará uma economia circular desses insumos. Para ele, o país se firmará como grande produtor de óxidos de minerais críticos e estratégicos que estimulará a reciclagem através da mineração urbana e tornará nossa indústria de transformação mais competitiva", disse.
(Da Redação com Assessorias – Edição: Artur Hugen)