Eleições 2026: se ficar o bicho come, se “correr” pode escapar,’ por José Natal
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Está ficando chato, e cansativo, a choradeira e o caça bruxas de petistas, e afins, na busca por um culpado pela aparente (ou real) queda de Lula nas pesquisas eleitorais, projetando derrota na eleição que vem aí.
Na opinião de leigos, e de analistas de plantão nos grupos de whatsapp, há pelo menos cinco ou seis culpados pelos números da queda, dos discursos fora do tom e providências equivocadas do candidato ao tetra, até pouco tempo favorito sem ameaças.
A lista de mazelas é imensa, cada uma com DNA presente, tipo sanguíneo, CPF e endereço. Celular, ainda não. A primeira culpa caiu nos ombros de Janja, a primeira dama que fala demais, se apresenta onde não deve e assume questões nunca dantes programadas pela fina flor do Itamaraty.
Em seguida, vieram broncas bem argumentadas (pra variar) a conduta da comunicação, que botou um chapéu na cabeça do Presidente, vestiu nele a camisa amarela, mudou o tempo do verbo nas oratórias e o levou a citar obras em andamentos e as medidas de cunho social e outras demandas.
Outra queixa alegada pela queda e o aumento de críticas ao candidato, foi o confronto com o Presidente Trump, um desafio desaforado que um tupiniquim do Nordeste se atreve a fazer, como se pudesse. E tem mais, os analistas são robustos no ítem marketing político.
Apontam a omissão do Presidente no caso Master, citam declarações machistas, discriminação por não nomear mulheres para cargos no Governo e avançam com extrema sabedoria sobre as manifestações frequentes de Lula sobre as guerras no Oriente, o apoio a Maduro e os palpites atravessados quando Israel e o Hamas entram na conversa. Impressiona também o conhecimento que os “marqueteiros” que
trabalham de graça para Lula reúnem em seus arquivos, e os revelam com dados precisos, alguns até ignorando o auxílio precioso da inteligência artificial.
O Bolsa família, Minha casa, minha vida e outros programas do gênero (são muitos), são condenados ou absolvidos por pessoas, que o máximo que já fizeram na vida sobre esse drama foi lamentar frente a um mendigo, com a frase cunhada “me desculpe, agora eu não tenho”.
Alguns revoltados por não serem ouvidos, outros irritados pela lentidão e falta de atitudes, aos poucos engordam o pelotão dos que sabem de tudo um pouco, e aqueles que a tapadeira nos olhos impedem que a real visão dos fatos mostre a eles algumas realidades.
É repetitivo dizer que toda ação gera uma consequência, mas também é inevitável saber que contra fatos não há argumentos, nenhum deles.
As últimas citações da “polícia de plantão” que cuida para que os passos de Lula não terminem em um pantano, destinam a ele severas observações negativas sobre a teimosia na indicação de Jorge Messias a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, ele que foi escorraçado pelo Senado meses antes dessa decisão ser anunciada.
Fiel às origens, e solidário juramentado, Lula abriu mão da certeira aprovação do Senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o posto, optando pelo amigo de muitas jornadas. Faz parte do jogo, onde não há empates.
O último revés aplicado a Lula não pode ser creditado a esses ” assessores” , uma vez que Câmara e Senado, unidos em ação deliberada, optaram por dar a um bando de baderneiros uma nova oportunidade para que se organizem melhor, e caso haja mudança de chefia no futuro eles voltem mais afiados e prontos a desatinos e arruaças.
Vale lembrar que o que mais preocupa, e parece não figurar na lista de preocupações desses “bombeiros” que apagam fogo pela internet, é que mesmo em prisão domiciliar e agindo como pode e consegue, Bolsonaro e sua turma continuam invadindo terrenos, arrebanhando aliados desabrigados e dia após dia aumentam frases feitas no discurso, e despertam em sonolentos e desanimados eleitores acostumados ao mais do mesmo, curiosidades eleitoreiras nunca antes cogitadas.
Ao invés dessa turma, que insiste em saber mais de política do que o próprio candidato petista, ficar fazendo palestras em salas vazias, deveria cair na real, reconhecer a força do adversário e correr atrás do prejuízo, que se prosseguir avançando como está, quem hoje faz o L pode ser incentivado a fazer o Z, de zebra.
Ainda um pouco distante de fatos reais, que transformem isso em realidade, um pouco de humildade, autocrítica e moderação nos exageros otimistas talvez sejam bem´-vindos a aqueles que realmente atuam na linha de frente, e sabem o tamanho do adversário que tem pela frente. Eleição, ao contrário do que muitos pensam, não se ganha apenas com emoção, bandeirinhas e gritinhos empolgados em ruas e becos.
Eleição se ganha com estratégia bem feita, exploração dos pontos fracos do adversário, mensagens bem direcionadas no momento certo, equilíbrio e objetividade no que diz e faz. A emoção, evidente que sim, é necessária e vale como combustível para que tudo isso aconteça, e gere votos.
Aqueles que ainda apostam, e ainda acreditam que a vitória virá a todo custo, devido a força e experiência de três outras campanhas vitoriosas, a palavra de ordem deve ser de cautela, muito trabalho, dedicação e cuidado redobrado para que os erros que virão, sejam, pelo menos, fáceis de contornar.
A corrida pelo voto não dá refresco a ninguém, e atrás dela estão feras com dentes afiados. Bichos brabos. Se ficar eles pegam, se correr com vontade, podem escapar.
José Natal
Jornalista